Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Enrolando os leitores



Um pouco de Monthy Python. Para a molecada que está começando a espremer as espinhas agora, o grupo britânico Monthy Python é o melhor grupo de humor de todos os tempos. Simples assim, e sem discussão. Esqueça CQC, Casseta&Planeta ou qualquer outra tralha do tipo, e confira. Se você estuda em uma escola brasileira típica da atualidade (pública ou particular, tanto faz), provavelmente não sabe ler nem escrever direito, mas sabe copiar e colar textos, bem como usar o BitTorrent. Não perca tempo então, vou criar as linhas de pesquisa para você:

a) monthy python calice sagrado
b) monthy python sentido da vida
c) monthy python vida de Brian

Também tem muita coisa no YouTube. Divirta-se! E se achar os DVDs (com legenda, porra!) em algum lugar (o que eu duvido) não seja muquirana e compre, porque vale a pena. E me avise onde encontrou.

Enquete: estou iludido em achar que o mesmo pessoal cujo cérebro foi derretido por Michael Bay e pelo Pânico vai curtir Monthy Python? Respostas no Rolo Compressor.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Do Começo ao Fim - Versão Buldozer - INTERLÚDIO

- Desgulbe, zenhor Jeverzon, mas eze gartinha aqui no eztá em perza nem árabe. Bareze que estar em bashto, ser língua muito valado no Aveganiztão, e um bouco no ozidente do Baguiztão. Eu não zaber traduzir izo. E belo bisto nem guem escreveu, zeu enderezo no Brasil eztá braticamente desenhado no envelobe, não é mezmo?

- É, na época mandei um gabarito em papelão, para eles me mandarem os boletos. Pra cobrar esses bando de turco fela da puta são eficientes pra caralho. Olha, essa é a primeira carta do meu enteado para a minha esposa em três anos, ela despirocou quando chegou e não conseguiu ler. Se eu não conseguir traduzir isso logo, meu estoque de vodca e uísque acaba em menos de três dias.

- Hmm... a Aveganiztão não tem embaijada no Brasil, bobrezinhas deles, né? Vou ver gom alguém do embaijada do Baguiztão, guem zabe não indigam alguém bra zenhor?

- Valeu aí. E lembre-se sempre, senhor adido, otoridade no meu restaurante tem desconto e cortesia! Hoje as suas bebidas já são por conta da casa, mas me resolve esse pepino aí e te libero uma das minhas dançarinas, à sua escolha.

- Meninas zer muito bonitas, maz eu gozto mesmo é de menininhos. Begueninos, antes de mudar o boz. Tem algum aí? Não brezisa gortesia, nós baga, glaro gue chorar desgonto, glaro, glaro.

- Aqui no meu país isso é contra a lei, senhor, não tenho e nem sei quem tem. Já paguei tudo o que devia pra justiça e pra polícia uns bons anos atrás, agora eu sou um cidadão de bem, e não mexo com nada ilegal.

- Bena. No minha terra não tem lei nenhuma gue imbeza um zidadão de bem de ter uns menininhos em gasa. Bara vazer gombanhia, zabe?

- Bem, eu tô fora. Meu negócio é mulher. Literalmente. Mas é isso então, depois me volte com uma indicação quente de tradutor e a gente vê um esquema massa com as dançarinas, valeu?! Por enquanto, aproveite a hospitalidade da casa, beba à vontade!

- Obrigado, zenhor Jeverzon, muito bom vazer negózios gom o zenhor!

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

DO COMEÇO AO FIM – Versão Buldozer

Segue a nossa versão para essa ficção.

Eram onze horas da manhã. Jefferson tomou um banho ali no puteiro mesmo, vestiu suas roupas e saiu em direção ao carro. Era sábado e ele havia combinado de visitar o filho na casa da ex-mulher, e almoçariam todos juntos ali. Ela dizia que era uma forma de fazer o divórcio não ser tão traumático para o menino, e criar na mente dele a genuína impressão de que, de fato, ele tinha uma família, independentemente da separação, que afinal era um problema só deles dois, não seria justo que o garoto fosse afetado psicologicamente. Jefferson achava a maior frescura aquele papo todo, mas era bóia de graça e assim já economizaria uma refeição com o moleque. Além disso, se o banana do marido atual dela não estivesse lá, ele bem que podia tentar jogar um lero para dar um confere na coroa.

Chegando lá, o banana atendeu a porta, como sempre. “Foda-se”, pensou Jeff, “Já trepei de manhã mesmo”. O panaca se esforçou pra ser gentil, pra variar:

- Ô Jefferson, tudo bem, cara?

- Iaê.

- Ei, cara, de carro novo? Pajerona Full?! Açougue tá indo bem mesmo, né?

- Nem, vendi aquela merda, antes que começasse a dar preju. Essa juventude viada e filha da puta tá caindo nessa conversa mole de alimentação vagem e não compram nem uma porra de queijo branco, quanto mais carne. E nem fodendo que eu tenho tino pra vender alface e suco sem conservante.

- Hã... vagem? Você quer dizer vegan?

- É, essa merda aí. Filha da puta que não come nada que vem de bicho e tal. Mas que se foda, agora abri um restaurante, tá bem melhor.

- Que legal! Bem, vamos entrando.

Dentro da casa, os meninos estavam brincando de pique-pega e fazendo a maior algazarra, como as crianças fazem, gritavam “eu vou te pegar, eu vou te pegar” rindo e correndo. Pedro era o nome do filho de Jefferson, e tinha 7 anos; Aroldo, 4, era o filho do banana. Eles pareciam bem entrosados. “Ainda bem que o meu é o mais velho”, pensou Jefferson, “é o que dá porrada, e não o que apanha”. Quando o viu, Pedro voou nos braços do pai, que o acolheu com muito carinho. “Meu guri, porra, que ducaralho!” pensou, como sempre pensava nesses momentos.

- Bora vuá, muleque!!! – gritou, pegando Pedro pelos braços e começando a rodar.

- Agora não, ele não pode almoçar tonto, Jeff! – veio da cozinha a voz suave e risonha de Moema - Roberto, leve logo todo mundo para a mesa que a comida já está lá.

Foi servido um salmão ao forno com alcaparras, acompanhado de arroz à grega e salada de brócolis com espargos. “Grude tá massa, fora essa salada, que é coisa de fresco”, Jefferson pensou, “essa puta não fazia essas tralhas chiques quando morava comigo, era só arroz com ovo e carne moída, a vagabunda”.

- Puta rango bom, Moema. Mandou bem.

- Bom que você gostou, Jeff, foi o Roberto que fez. Eu só pus a mesa, já estava ok quando você chegou. Na verdade, foi a forma que achamos para te bajular, porque temos um grande favor para te pedir.

- Devia ter desconfiado, diz logo aí.

- O Roberto vai fazer uma exposição multimídia em uma galeria de Nova Iorque mês que vem, e minha mãe está em um cruzeiro para a Terra do Fogo...

- Chile? Porra, Roberto, mandou bem, foi tua a idéia de mandar aquela escrota pra longe? Parabéns, cara! Espero que ela congele lá!

Roberto nem ficou vermelho, já estava acostumado com o "jeito sincero" de Jefferson, embora evitasse chamá-lo se houvesse outros convidados em casa. Moema respondeu:

- Ai, Jefferson, não fala assim! Olha, é o seguinte: os meninos vão estar de férias da escola, e eles são muito ligados, detestam ficar muito tempo separados... assim, eu sei que o Aroldo não é seu filho, mas você poderia ficar com os dois para mim? Por favor? A exposição vai envolver performances, vai ser muito extenuante para o Roberto, ele vai precisar do meu apoio lá. É só um mês, pode ser?

- Claro, porra. De boa. – respondeu Jefferson, sem pestanejar. – Eu tomo conta da molecada, na moral. Quando eu tiver no trampo eles vão ficar com a empregada, tem galho?

- Nada, aqui é assim também. Na verdade, se fosse uma viagem curta, eu pedia para ela, mas vou ficar uns quarenta dias fora.

- Vai na fé. De boa.

Roberto interviu:

- Valeu a ajuda, cara, essa exposição vai ser muito importante para minha carreira de artista plástico, meu primeiro evento internacional, sabe como é. Mudando de assunto, e esse seu negócio novo, o restaurante, me fala mais dele.

- Ah, cara, é um espaço multimídia também. Talvez até eu compre uns lances teus para decorar a bagaça.

- Mesmo? Que interessante, me fala mais.

- É bem legal, tipo um restaurante divertido, uma boate, cheia de gente bonita dançando, com hostess e tudo. Tá bombando. É até legal, porque enquanto eu tiver no trampo, os meninos vão estar dormindo, e de dia eu dou atenção para eles.

- Ei, quero conhecer esse seu espaço. Quando eu voltar de viagem a gente combina, tá?

- Só.

Após o almoço, os meninos saíram correndo para brincar, novamente, em uma casa na árvore que havia no amplo quintal. “Os meninos passam a maior parte do tempo lá” disse Moema “Eles ficam a tarde inteira jogando damas, com as portas e janelas fechadas, para não pegar friagem.”

Sessenta dias depois daquele almoço, o feliz casal voltou de viagem. As críticas ao trabalho de Roberto Nogueira haviam sido extremamente positivas. O New York Times destacou a “pureza tropical, ousada e indômita, do jovem artista performático brasileiro e sua interação com as impressionantes ambiências que criou”. Os críticos de arte ficaram particularmente impressionados com o ambiente “Phallic Lounge”, em que Roberto interagia ativa e passivamente com as reentrâncias e saliências multicoloridas das esculturas gelatinosas iluminadas por leds.

Agora, resolvera fazer uma surpresa para Jefferson. Ele admirava, de certa forma, o ex-marido de sua esposa. Ele podia ser um pouco grosseiro às vezes, mas não criava caso com nada e estava sempre disposto a ajudar, merecia um presente. Jefferson disse que passaria o fim da tarde com as crianças no trabalho e depois as levaria para casa, e Roberto pensou se não seria ótimo ir buscar as crianças lá mesmo, e doar um belíssimo quadro seu de presente, uma grande tela que pintara no ano anterior. Certamente Jeff gostaria do presente, sempre havia elogiado seus quadros. Lembrou da voz do pai de seu enteado “acho da hora esse lance de tu pintar as minas peladas e depois fazer umas invencionices com tinta brilhante na tela, fica diferentão e tal”. Descobriu na lista o endereço do restaurante, um imóvel comercial no nome do Jeff, não havia anotação com a descrição do lugar.

- Lá é novo. - disse Moema - Só atualiza na lista do ano que vem. Agora acelera senão a gente desencontra, ele deve sair umas cinco e meia com os meninos.

Chegando na porta, por volta das cinco da tarde, viram um neon escrito “Inferno’s” representando letras em labaredas. A fachada era cega, toda pintada de preto, e só tinha uma pequena porta prateada, com um homem gigantesco de terno na porta e algumas “belas moças, certamente habitués do local”, Roberto pensou. “Deve ter muita fila, para elas chegarem tão cedo”.

- Hm, parece ser mesmo um lugar bem privê, Moema. E com uma fachada muito ousada. Seu ex-marido tem um gosto arquitetônico bastante interessante, mistura ousadia e refinamento.

- Os brutos também amam – ela disse, com ironia na voz – agora vamos pegar os meninos logo, estou morrendo de saudade.

O segurança os barrou na porta, disse que o local estava fechado naquele horário. Chamou o chefe pelo rádio e foi instruído a pedir paras as visitas esperarem na porta.

- Deve estar bagunçado lá dentro, ele não quer que a gente veja – disse Roberto – veja, lá vem ele com os meninos... mas o que diabos...?!

Jefferson veio com os garotos, segurando um em cada mão. Pedro estava rosado e saudável, ao passo que Aroldo estava cheio de hematomas em todo o corpo, com um olho roxo, além do o braço engessado em uma tipóia, e andava mancando, se apoiando em uma muleta. Roberto ficou desesperado:

- Minha nossa, Jefferson, o que houve com o Aroldo!?

- Esse teu moleque é um viadinho. Fica se comportando mal, dei uns corretivos prele ficar esperto. Mas não estressa, não tem dano permanente nenhum, ele vai ficar bom, pelo menos no lado físico. Mas te aviso logo que baitolagem não tem cura.

- VOCÊ fez isso? Seu louco, como você espanca uma criança?!

- Ele ficava com umas brincadeiras muito esquisitas pra cima do Pedrim, uns negócio de “vamos tomar banho de banheira que eu faço tudo o que você quiser”, depois dizia que iam jogar damas, e quando eu via teu piá tinha uns lance de colocar e tirar as pecinhas do bolso do Pedrinho. Apanhou foi pouco, e eu fui legal, dei até cobertor quando pus ele para dormir no canil, nos últimos dias. E tem mais, meu filho não fica mais junto desse moleque transviado, é má influência! Vai morar comigo agora, eu que vou educar o meu pirralho, que ainda tem salvação para ele crescer que nem homem!

- Mas papai – gritou Aroldo, chorando – são só cosquinhas, que é que tem? É mó legal! Eu amo meu maninho, papai, amo mesmo! Num deixa separar a gente, prometo que vou ser bonzinho!

Jefferson largou as crianças e virou a mão com toda a força no rosto de Aroldo, que saiu voando e caiu chorando no chão. Moema gritou desesperada. Aquilo despertou em Roberto uma fúria que nunca havia experimentado. Em uma explosão de adrenalina, pulou quase três metros em direção a Jefferson, com as unhas armadas em direção à jugular, gritando:

- PLEBEEEEEEU!!!!

Mas, no segundo em que Roberto se pôs no ar, Jefferson também pulou, e encaixou um Roundhouse Kick certeiro na face do repentino adversário, ao que se ouviu em alto e bom o barulho de algo se quebrando, um “slept” brusco. O corpo de Roberto caiu com um baque no chão, três metros à frente, após um vôo parabólico. O segurança, admirado, observou:

- Porra, chefe, duca esse teu golpe aí. Mandou bem.

- Vi num filme, quando era moleque. Legal, né? Agora some com esse presunto aê.

- Faloura!

Moema gritava alucinada:

- VOCÊ MATOU MEU MARIDO! ESPANCOU MEU FILHO! SEU LOUCO! VOU CHAMAR A POLÍCIA, OH MEU DEUS!!! – E puxou o celular.

Jefferson pensou rápido. Nunca batera numa mulher na vida, e não pretendia abrir exceção. Gritou:

- ELGA! Vem dar um corretivo nessa maluca aqui, que ela quer encrenca!!!

De dentro do estabelecimento, saiu uma belíssima loira de olhos verdes, muito forte mas sem gordura, de saltos, meia arrastão e roupas curtas de couro. Tinha pouco menos de dois metros de altura, e enquanto ela espancava Moema, o segurança arrastou o corpo para o carro do casal.

- Some com tudo. Vai ser uma pena queimar esse quadro maneiro que tá na caçamba, mas faz parte. – e virou-se para a loira, que continuava batendo – Elga, tá bom por hoje, valeu. Põe ela no banco de trás da Pajero, junto com esse filho viado dela. O meu garoto vai no banco da frente, que nem homem.

DUAS SEMANAS DEPOIS...

- Porra, Moema, esse teu arroz com ovo é uma merda, mas eu confesso que tava com saudade. Que bom que voltamos a viver juntos, é como você sempre disse: aconteça o que acontecer, temos que ser uma família, né?!

- É. – disse Moema, fitando o vazio, e mancando em direção à cozinha.

- Pois é. E também eu tenho que dar o braço a torcer. Disse que baitolagem não tinha cura, mas o Aroldinho ficou animado quando eu fui no canil e contei as novidades. Acho que está sendo educativo deixar ele lá o tempo todo, bastou duas semanas e ele tá um cordeirinho de obediente.

- É – disse Moema, enchendo um copo de vodca e abrindo uma caixa de Valium.

- Eu realmente acho que esse colégio interno no Paquistão vai ser bom para ele, o lema do lugar é “formando homens de verdade para a guerra santa”. Eles tem aulas de religião, química e tiro ao alvo, além de uma disciplina super rígida. O nome do colégio é “Jihad Ahmajinejhad Al Qaeda Islamabad”. É um nome estiloso, né?

- É. Querido – disse Moema com a voz engasgada – será que... agora que ele está comportadinho... ele pode ficar mais perto de mim? Prometo ... prometo que deixo ele longe do Pedrinho. Juro.

- Claro, meu amor! Você pode visitar o canil quando quiser, antes dele viajar! Vai lá, você pode tirar a mesa e lavar as louças mais tarde, né?

- É – disse Moema, se arrastando em direção à porta dos fundos, tremendo, cambaleante – obrigada, querido.

Jefferson pensou “que vida maravilhosa”, foi em direção à geladeira, pegou umas cervejas e subiu as escadas em direção ao quarto do seu filho Pedrinho. Quando entrou no quarto, viu o garoto admirando 42 polegadas de Sylvia Saint em ação. Isso o animou:

- Grande garoto! Diz aí, seus cigarros já acabaram? Trouxe cerva!

- Não, papai, obrigado. Ainda tem dois pacotes, deve dar até amanhã ou depois. Engraçado, não sei por que, mas esse filme me dá saudade do meu irmãozinho.

- Esquece isso, filhote. Vamos fazer assim: mais tarde papai te leva para o trabalho dele, que lá ele tem um monte de funcionárias legais que vão fazer a saudade passar, tá bom?

- Promete, papai?

- Prometo, filhote. E lembre-se: se enjoar desses filmes com moças bonitas que o papai te deu, no armário tem também DVDs de todos os Campeonatos Brasileiros de Futebol dos últimos vinte e cinco anos, e de todos os jogos do Brasil na Copa do Mundo, tá bom?

- Brigado, papai!

- De nada, meu filho, até mais tarde, tá?

- Tá, papai. Você é o melhor pai do mundo, viu? Valeu!

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

O mundo é dark, muito dark: DO COMEÇO AO FIM



Em agosto, nos cinemas, estréia mais uma fantástica produção nacional para a família brasileira: DO COMEÇO AO FIM. Essa comovente produção mostra dois irmãos que se apaixonam desde crianças e mistura incesto, pedofilia e baitolice.

O mais punk é que, ao que parece pelo trailer, o filme não vai ser uma pornochanchada tosca padrão anos 70, nem um filme cru como os do Cláudio Assis, como se espera numa produção desse tipo. Esse filme, ao que tudo indica, terá fotografia refinada, trilha sonora dramática, criancinhas felizes e atores da novela das oito sorrindo o filme inteiro. Bizarrices em um filme de formatação impecavelmente comportada, o que me parece muito mais bizarro do que filmes com vocação tipicamente freak.

A discussão aí, na verdade, é pesada. A produção certamente não vai incluir cenas de pegação entre os atores mirins, mas insinuação é o que não falta. Onde termina a jurisdição da arte e começa a da Polícia Federal? Não sei nem quero saber, acho que, por via das dúvidas, vou passar longe dessa porra.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

ESCÓRIA



Como diria nosso ex-presidente FHC, esqueçam o que escrevi.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

ENROLANDO OS LEITORES...


...com mais esse belo videozinho, que achei no Preta Milagrosa. OK, Comichão e Coçadinha são pioneiros, mas ver os originais no mesmo contexto é muito mais bacana.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

MANEIRAS



Maneiro esse "Maneiras", é mais um lance baseado numa tira do Allan Sieber: 6 maneiras discretas de mandar pessoas à merda.

E ainda falando de adaptações de quadrinhos nacionais, fizeram uma porrada de animações baseadas nas tiras clássicas do Angeli: Angelitos . Confesso que achei o timing delas meio estranho, acho que alguma coisa se perde na tradução. Mesmo assim, é legal e vale uma conferida.

MAIS FUMAÇA

Nossa singela e tosca declaração de ódio a todos os pseudo-eco-universitários-come-merda que devastam nossa paciência em mesas de bar. Confessamente inspirado em um recente (e foda) cartum do Allan Sieber. Para ampliar, clique na figura.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009



Clique na figura para ampliar a imagem (continua tosca, é claro)

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

STF derruba exigência de diploma para o exercício do jornalismo

Cozinheiro à altura do jornalismo brasileiro

O argumento mais contundente foi o de que a profissão de jornalismo seria análoga à culinária e ao corte e costura, que, segundo o argumento, bem podem ser exercidas por portadores de formação superior em tais áreas, mas não necessariamente.

Da minha parte, entendo que tal comparação é um grande desrespeito. As profissões de costureira e cozinheira são portadoras de grande dignidade, exigem uma formação efetivamente especializada, ainda que não formal, e parece-me uma profunda injustiça que profissionais tão úteis e preparados sejam comparados a reles jornalistas.

Também acho injusto afirmar que as profissões de cozinheiro e costureiro não têm impacto decisivo na vida humana. Jornalistas tudo bem, ninguém acredita mais no que eles escrevem mesmo, então tanto faz. Mas uma refeição preparada de forma inadequada pode conduzir um cidadão à UTI, uma roupa defeituosa ou inadequada pode expor seu usuário ao ridículo.

Dessa forma, sou a favor de que a sociedade civil organizada, de forma pacífica e democrática, cobre de nossas autoridades um maior respeito com a culinária e com o corte e costura.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

FECHARAM O MIRANTE EMO

Resolveram tentar estancar a onda de suicidas que se atiravam do parapeito do shopping Pátio Brasil (Brasília), com tapumes (foto), e com a promessa de colocar vidro temperado (uma continha de três milhões que, aposto, vão adiar ao máximo). É difícil julgar se isso é uma boa ou não.

O que sempre me encafifou é "por que, exatamente, ali?", se há tantos outros lugares com o mesmo tipo de parapeito e altura. Se for, simplesmente, por ser movimentado e chamar a atenção, acho que há outros lugares também. Infelizmente, quem poderia responder essa pergunta encontra-se impossibilitado de opinar. Ainda assim eu arriscaria um palpite: moda.

Isso aí, imitação mesmo. É uma atitude inconsciente humana, básica, de criar estereótipos e convenções - e neles se encaixar - mesmo nas situações mais extremas. Afinal, o que é mais extremo que um suicídio?

Pode ser também culpa da imensa quantidade de adolescentes EMO que frequenta o local. Essa escória, além de inspirar a tristeza imediata somente com seu visual mimado e degradante, cultua o baixo-astral, a cara-de-quem-comeu-e-não-gostou e o mimimi como filosofia e modo de vida. Acho que a soma de todos esses fatores de degradação resulta na emissão de uma terrível energia negativa que permeia o ambiente do shopping, urucubaca extremamente perniciosa para as pessoas, especialmente as mais sensíveis ou deprimidas.

Deixei passar alguma hipótese mais razoável? Respostas no Rolo Compressor, se é que alguém ainda se dá ao trabalho de ler isso aqui, já que os posts evoluíram de bimestrais para semestrais.

Domingo, 25 de Janeiro de 2009

Buldozer é cultura internacional

Um pouco de autêntica e tradicional cultura japonesa para vocês



Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

PUNK IS NOT DEAD

Os moicanos podem estar fora de moda, mas a atitude punk continua viva e feroz até em velhinhos do país que foi berço do movimento cultural mais escroto de todos os tempos:

Britânico tenta pagar multa de trânsito com cheque de papel higiênico

Richard Roper foi multado por ocupar duas vagas ao estacionar
.

Vale publicar a íntegra da notícia:

Um britânico que tentou pagar uma multa de trânsito com um "cheque de papel higiênico" foi condenado a passar um dia no tribunal como punição.

Richard Roper, de 63 anos, foi intimado a comparecer no tribunal quando a polícia de Suffolk, no leste da Inglaterra, se recusou a depositar o cheque de 30 libras (R$ 109) porque a operação custaria 15 libras (R$54).

Roper foi multado no dia 30 de setembro quando estacionou perto de sua casa. A frente do carro estava dentro da vaga, mas a traseira não.

Um policial local, conhecido na região como "Exterminador", o multou em 30 libras por ocupar duas vagas.

O aposentado disse ao juiz David Cooper que não se recusou pagar a multa, mas que as autoridades "se recusaram a receber o pagamento".

"O que eu fiz, Excelência, teve senso de humor. O meu pagamento foi escrito no papel higiênico, o que reflete meus sentimentos em relação ao sistema que eu, infelizmente, sou obrigado a apoiar por meio de impostos", disse Roper.

Quando o juiz perguntou ao aposentado o que ele faria se um cliente o pagasse com um cheque de papel higiênico, ele respondeu:

"Eu descontaria o cheque e enviaria um recibo escrito em papel higiênico".

Roper ainda disse ter oferecido pagar o dobro para uma instituição de caridade dedicada a crianças, mas que a polícia recusou a oferta.

Fonte: BBC Brasil.


Posso ver esse velhinho, mais de trinta anos atrás, pogando em um show dos Sex Pistols, de moicano, roupa cheia de tachas e alfinetes, e há mais de um mês sem tomar banho. Hey ho let's go!

Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

O FIM DOS TEMPOS

Sepultura toca "Garota de Ipanema" no Grammy Latino



Desde quando o Sepultura pode ser minimamente enquadrado como "música latina"? Fico imaginando o Andreas Kisser com visual de Menudo, ia ficar muito style...

Agora, falando um pouco mais sério, os caras vão lançar um álbum baseado em "Laranja Mecânica". Foda! A música que rola depois de Garota de Ipanema é desse álbum, sai em janeiro. E-mule, aí vou eu!

obs.1)Para quem ainda estava no saco do pai, sob comando do cremaster, durante o auge do sucesso do Sepultura, pode clicar aqui e descobrir quem são os caras. Depois, Soulseek na veia!

obs2.)Para quem aprendeu o que é cinema assistindo ao "Cine Belas Artes" no SBT, leia algo sob o fodíssimo Laranja Mecânica aqui, e depois alugue (ou baixe!).

obs.3) Se você acha que metal é um estilo de música muito agressivo, e que Laranja Mecânica é um filme muito violento e com cenas de mau gosto, pode clicar aqui e aqui.

obs.4) Se você é fã de tecnopop e acha que metal é um tipo de música grosseiro e sem estilo, destinado apenas a adolescentes brutos e sem a menor classe, pode clicar aqui e aqui.

Mistura de trash metal com Stanley Kubrick? Aceito.

Sábado, 29 de Novembro de 2008

Rindo da desgraça alheia

Recentemente,informamos que o caso do Padre Balonista havia sido premiado com o Darwin Awards. Pois bem, não bastasse isso, a loja de souvenirs do site está vendendo a preços módicos balões personalizados, inspirados no acontecimento:

Balões "Bon Voyage"

Aliás, essa loja vale uma recomendação. Tem uma série de produtinhos baseados nas tragédias descritas, achei super bacana.

Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Notícias bizarras - ESTUDANTE PROCESSA PREFEITURA POR NÃO TER BEIJADO NINGUÉM EM MICARETA NO INTERIOR DO ACRE

Revoltado por não ter conseguido beijar ninguém em um carnaval fora de época promovido pela Prefeitura de Guararapes do Norte (230 km de Rio Branco - Acre) no último mês de maio, o estudante universitário J. C. A. ajuizou uma ação judicial bastante inusitada. Ele foi à Justiça pedir indenização porque "zerou" na micareta.

JCA pediu indenização por danos morais, alegando que "após quase dez horas de curtição e bebedeira não havia conquistado a atenção de sequer uma das muitas jovens que corriam atrás de um trio elétrico". Ainda segundo o autor, que diagnosticou na falta de organização da Prefeitura a causa de sua queixa, todos os seus amigos saíram da festa com histórias para contar.

Em sua contestação, a Prefeitura de Guararapes do Norte ponderou tratar-se de "demanda inédita, sem qualquer presunção legal possível", porque não caberia a ela qualquer responsabilidade no sentido de "aliciar membros da festividade para a prática de atos lascivos, tanto mais por se tratar de comemoração de caráter familiar, na qual, se houve casos de envolvimento sexual entre os integrantes, estes ocorreram nas penumbras das ladeiras e nas encostas de casarões abandonados, quando não dentro dos mesmos, mas sempre às escondidas".

Apesar da aparente inconsistência da demanda judicial, por seus próprios méritos a ação ainda ganhou força antes de virar objeto de chacota dos moradores da cidade, em virtude do teor da réplica apresentada pelo autor, que contou com um parecer desenvolvido pelo doutrinador local Juvêncio de Farias, asseverando que "sendo objetiva a responsabilidade do Estado, mesmo que este não pudesse interferir na lascívia dos que festejavam, o estudante jamais poderia ter saído tão amuado de um evento público".

Ao autor da demanda, no entanto, como resultado de uma "aventura jurídica" que já entrou para o folclore do município, não restaram apenas consequências nocivas. Afinal, em que pese a sentença que deu cabo ao processo ter julgado a demanda totalmente improcedente, o estudante se saiu vitorioso após ter arranjado como namorada uma funcionária do setor de aconselhamento psicológico do município, que passou a freqüentar por indicação do próprio magistrado responsável pelo encaminhamento do caso.

Segundo a própria Municipalidade, tal acontecimento afetivo ocorreu sem nenhuma participação do Estado.
De Rodrigo Amaral Paula de Méo, da Gazeta Jurídica de Piracema Branca do Norte

Bem, para quem achar que é piada, clique aqui para ler a notícia na fonte.

Algumas considerações:

1) Na contracorrente do senso comum, acho absolutamente louvável a atitude do rapaz. Existe toda uma propaganda - pelo visto enganosa, mas espero que não - aqui no sul-maravilha de que as mulheres da floresta amazônica são fibra pura, tão ali para o que der e vier, topam tudo, mandam brasa sem frescura e é isso aí. Se o camarada entrou na micareta nesse espírito e foi frustrado, acho que seria sim dever do Estado indenizá-lo.

2) A Prefeitura está de conversa mole, micareta não é nem nunca foi festa de família, é espaço para pegação e fodelança, ali ninguém é de ninguém, todo mundo é de todo mundo e salve-se quem puder porque o pau come solto. Família passa longe e ainda faz o sinal da cruz quando vê a turba avançando sob aquele som vindo daqueles carros de som, que mais se parecem uns abre-alas do inferno conduzindo uma orgia romana.

3) Acho que se o rapaz já conseguiu dar pelo menos um fatality com tudo o que tem direito na psicóloga salvação que encontrou, então já tá valendo e a demanda pode ser dada por encerrada: o guri já foi mais que indenizado por uma legítima mulher amazônica, guerreira e raçuda.

4)"PODE VIR FORTE QUE EU SOU DO NORTE", essa frase que coletei de uma legítima roraimense - cuja identidade preservo porque se faz de santa aqui no sul-maravilha - é a minha homenagem a todas as mulheres do norte que tem fibra e fazem jus à sua maravilhosa fama de mandar muito e mandar bem!

Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Desenterrando cadáver...

O nosso leitor "Larica" veio reclamar nos comments do post anterior que Marcos teria um perfil mais voltado para MMORPG que para jogos como GTA. Bem, devo confessar que, da primeira vez que comecei a conceber o personagem que resultaria no Marcos, foi justamente nisso que pensei. A partir do segundo texto ele mudou um pouco, e essa história não coube mais na, hã, "cronologia oficial" de Marcos. Mas para deixar o "Larica " feliz, republico esse texto, originalmente postado no Abobra em 2004, vamos dizer que seja um primo paulista de Marcos:

Dois blogueiros andavam pela Avenida Paulista:

- E de mulher, cara, como anda?

- Mulher? Enloqueceu, cara, você ainda está nessa? Não ouviu falar dos MMORPG?

- Hã? Do que você está falando?

- Massive Multiplayer Online Role Playing Games, idiota! Não acredito que você nunca ouviu falar disso, ou pior, nunca jogou!

- Ah, esses games interativos que fica nego do mundo inteiro jogando ao mesmo tempo? Ainda não joguei, mas já ouvi falar. Parece legal. Mas o que isso tem a ver?

- A ver com o quê?

- Mulher, porra! Te perguntei como anda de mulher? Ou por acaso você anda comendo alguma elfa virtual nessa merda?

- Cara, quem precisa de mulher com MMORPG? Porra, passo todo o meu tempo livre jogando, foda-se essas escrotas!

- O quê, mermão, pirou?!

- O caralho, raciocina comigo, porra! Para que eu vou ficar aguentando a xaropice dessas minas se eu posso ficar jogando na net! Se liga!

- Tu tem é merda na cabeça mesmo...

- Uma ova! Porra, desde que eu parei de esquentar a cabeça com mulher e passei a jogar o tempo todo minha vida melhorou, sabia? Melhor de tudo é que passei a economizar: só gasto dinheiro com aluguel, internet banda larga, assinatura do provedor do jogo e pizza por telefone!

- Como assim? Você só come pizza?

- Uma pizza grande e um refri dois litros. Dá para um dia inteiro na boa. Peço às sete da noite, quando chego em casa, e como metade até a hora de dormir. Como um pedaço de café da manhã e levo três pedaços para almoçar no serviço. É bala.

- Tu vai é morrer desse jeito, otário...

- Negativo! Corro uma hora por dia, de seis às sete da manhã! Sou disciplinado, brou!

- Mas desistir de mulher? E quando a coisa aperta? Tu é homem, porra, o pau endurece aí precisa de mandar bala, ô meu!

- Minha mão direita é bala.

- Mané mão direita, tô falando de penetrar, penetrar, penetrar!

- Pô, isso é fácil. Se a coisa aperta para valer, é só entrar no chat do UOL de madrugada...sempre tem algum cara querendo pica no cu por lá.

- O QUÊ?! Você virou viado, mermão?!

- Peralá, claro que não! Só como um ou outro cara de vez em quando, quando a coisa fica feia...

- SUA BICHA ESCROTA!!!

- Porra, olha o respeito!!! Não sou viado, nunca beijei um cara, não chupei rôla, nem levei pica no cu. Só como uns caras por aí...

- Tu tá trepando com homem, seu viado!

- Preferia mulher, mas mesmo as da net têm esse papo de restaurante, romantismo, não dar no primeiro encontro...haja saco! Com os caras não tem dessa, é só marcar local e hora e é bala!

- Cara, tô com medo de você...

- Peraí, não esquenta, isso é raro de rolar. Fico quase todo o tempo jogando mesmo...

- Viado de merda...

- Pô olha o preconceito aí...

- Tchau, cara.

- Peraí...

- Marquei com minha namorada, outro dia a gente se fala.

- Por favor não vai embora não.

Domingo, 2 de Novembro de 2008

A SINA DE MARCOS - parte 03

- Pessoal, esse é o Kraut, meu marido, que veio aqui nos visitar nessa festinha. – disse Olga, sem muita empolgação, ao apresentar o Almirante Kraut aos seus colegas de trabalho.

Todos olharam com desconfiança para aquele homem de meia-idade, que certamente seria uns 15 anos mais velho e 15 centímetros mais baixo que sua esposa, mas não por isso, e sim por causa de seu traje de gala impecavelmente branco, cheio de indicações de medalhas no peito, cordas e mais cordas douradas por cima dos ombros, com o quepe embaixo do braço e postura altiva. Ele por acaso não sabia que era apenas uma confraternização informal? Ele notou o estranhamento, e fez o possível para descontrair:

- Por favor não reparem, estou vestido assim justamente pelo que me possibilitou comparecer aqui hoje: uma cerimônia que terminou cedo. Se eu passasse em casa e me vestisse a paisana, não daria tempo de vir curtir tão agradável companhia! Agora reparem, vocês vão conhecer a antiga técnica cerimonial militar de atacar o buffet sem deixar cair nenhuma sujeirinha no traje de gala, hahahahahaha!

Todos forçaram alguns risos e sorrisos, e começaram a comer e conversar. Kraut não se considerava um sujeito antipático e linha-dura, e buscava de todas as formas, especialmente em meios não-militares, desfazer qualquer mal-entendido nesse sentido, caso surgisse, como lhe pareceu ser o caso. Mas em determinado momento, sua formação falou mais forte, e ele não pode deixar de reparar no rapaz musculoso tão mais mal-vestido que os colegas, conversando com todos eles. Mas como era forte o rapaz! Seria certamente muito bem vindo na escola de oficiais, e ele gostaria muito de ser seu professor. Ora, mas que pensamento era aquele? Kraut lembrou a si mesmo da regra número um: nunca dar bandeira. Mas não conseguia parar de olhar aquele rapaz, ele certamente seria um bom cadete, e Kraut teria muito para lhe ensinar.

Olga, por sua vez, conseguia fazer aquilo para que havia se condicionado durante a última semana: não olhar para Marcos. Sabia que seu marido era muito observador, e não tinha a menor idéia de como reagiria se de alguma forma desconfiasse dela. Ela não tinha como saber, pois nunca havia dado motivo para desconfiança, e preferia deixar as coisas como estavam. Mas o que era aquilo? Mal Kraut se retirou da sala para ir ao banheiro, Marcos parou de conversar com os outros e se aproximou dela. Será que naquele dia ele finalmente a havia notado?! Chegou sussurrando em seu ouvido, ai que coisa excitante!

- Olga?
- [se derretendo] Sim?
- Não quero ser rude, mas...seu marido não tira o olho de mim. Quinze minutos seguidos! Chega a ser incômodo, é como se ele me despisse com os olhos.

Olga estourou e gritou em alto e bom som:

- PUTA QUE O PARIIIIU! ESTOU A TRÊS ANOS TE SECANDO SEM PARAR E VOCÊ NUNCA NEM DEU BOLA, E AGORA ME VEM COM ESSA! QUAL É A SUA, PORRA? NÃO GOSTA DE MULHER?! VOCÊ DESTRÓI MEU ORGULHO, MINHA AUTO-ESTIMA, E AGORA VEM FALAR MERDA, CARALHO?!!

Olga se arrependeu de forma imediata e profunda, mas já era tarde demais. Todos a olhavam com cara de espanto e estupefação, sem acreditar direito naquilo tudo que haviam presenciado. Todos sabiam que a chefe tinha atração por Marcos, mas nunca esperaram que aquela represa emocional se rompesse daquela forma. Olga não sabia o que fazer, a vontade que tinha era se enfiar em um buraco e nunca mais sair de lá. Sua visão se embaçou, e então ela ouviu aquela voz serena e amável de Marcos, respondendo sem se abalar:

- Você é a mulher mais bonita que eu já conheci. E eu notava quando me olhava, mas achei que estava apenas fiscalizando meu trabalho. Agora, vamos mudar de assunto que estou ouvindo passos no corredor, é o seu marido.

- Como sabe?!

- [sorrindo] Pelo ritmo preciso dos passos. Coisa de quem já marchou muito.

Marcos se afastou de Olga e pegou um salgadinho no buffet que havia sido improvisado nas mesas da repartição, e começou a comer de costas para a sua chefe. Yuri, por sua vez, não conseguia deixar de olhar para Olga, estava até agora de cara com o que havia acontecido. Como Marcos conseguia ficar tão sereno com aquela mulher espetacular o assediando? Após aquela declaração atropelada e emocionada, daquela belíssima loira perfeita? Antes achava que Marcos poderia ser gay, mas depois daquele diálogo não entendeu mais nada, só que aquela mulher era um avião...ele estava quase babando já. No momento em que o Almirante Kraut apareceu na sala, notou a admiração de Yuri, que demorou alguns segundos para notar a incerta e desviar o olhar. Kraut notou, e memorizou o rosto de Yuri para futura referência.

No fim de semana seguinte, numa bela tarde de sábado, Olga estava no apartamento de Marcos. O despojamento e limpeza do ambiente eram incríveis, Marcos só tinha um colchão de casal, um forno elétrico, um computador e um biombo em frente à porta. Seria ele zen-budista? Bem, não importava. Só o que contava naquele momento é que Marcos transava bem pra cacete. Estava na terceira sem tirar de dentro, sempre a mudando para as mais loucas e absurdas posições, ela já havia gozado duas vezes e ele seguia firme. Já a tinha acariciado, chupado, alisado, metido, e parecia não se cansar. Ela nunca tinha sentido algo assim. Havia se casado jovem, virgem, e seu marido, por muitos anos, a satisfez bem, mas só agora notara, nunca plenamente. Marcos era uma incrível máquina de sexo, aliás, máquina não: ele tinha carinho e percepção, não era simplesmente força. Ela começou a sentir algo que nunca antes havia sentido, só havia lido a respeito em revistas femininas: orgasmos múltiplos. Seus músculos se contraíam involuntariamente, e ela gemia tão alto que sentiu até vergonha:

- Oooooohh...eu...barulho...vizinhos...aaaaaaaaahhh...

- Fique à vontade...eeeh... meu apê tem revestimento...aaaah... isolamento acústico...uuuuuuuuuuuuhhhh!!!! – Marcos finalmente parou. Levantou do colchão, tirou a camisinha, deu um nó na abertura, foi ao banheiro, jogou no vaso e deu descarga, então voltou para o recinto – Além disso, meus “vizinhos” são as putas. Elas não ligariam, mesmo se ouvissem algo. Olha, vou pedir uma pizza pra gente. Quer de quê?

- [horrorizada] Pizza? Eu não como isso há anos, engorda...ah, que se dane, manda uma calabreza.

Olga ainda estava tremendo. Aquilo não havia sido uma simples transa, e sim uma obra de arte, uma sedução completa...ah, ela não estava raciocinando direito. Mas conseguiu comentar:

-Você transa muito...bom...qual...o segredo.

- Não tem muito segredo. Você já jogou Street Fighter no fliperama?

- Joguei o quê?!

-Street Fighter. É um joguinho de fliper que fazia muito sucesso quando eu era garoto. Foi ali que eu aprendi as manhas...

- Mas que conversa é essa?

- Olga, do meu ponto de vista, o sexo é como um videogame de luta cheio de combos. Você tem que praticar bastante, e quando está jogando, tem que estar focado naquilo. Tem que se movimentar com um timing super correto, ser rápido sem ser apressado, e é claro, saber todas as combinações de golpes para aplicar no momento certo... além de ter muitas fichas no bolso para sempre ter o “continue” de onde parou.

Olga não entendeu muito daquilo mas que se foda, importante é que foi bom. Era a primeira vez que transava com outro homem que não seu marido, e não sentia nem um pingo de arrependimento, porque tinha sido demais. Estava mais calma, serena como nunca após aquela transa maravilhosa, se fumasse certamente seria o momento do cigarrinho. Só percebeu uma coisa que a encucou no discurso de Marcos:

- Então você pratica bastante, né, safado? Tem namorada? Tá chifrando a menina?

- Nem, eu pratico com as putas aqui do prédio.

Olga ficou chocada. A imagem que tinha de Marcos não indicava que ele pudesse ser um sujeito putanheiro. Mas ele acabara de afirmá-lo, isso até esclarecia algo que a estava encucando:

- Bem que eu estranhei você escolher justamente essa quadra, cheia de putas, para morar. Agora está explicado, mas pra que isso, justo um cara como você, que é super atraente e não precisa disso?

- Eu não quero romance, Olga, nunca quis. Tive algumas namoradas na adolescência, mas elas me enchiam profundamente o saco. Hoje, vivo como quero e não preciso de ninguém dando pitaco na minha vida.

- Mas putas? Elas são sujas e safadas, Marcos, você não tem nojo? Elas transam com vários homens todo dia.

- Isso não me incomoda. Sabe, em determinado momento, eu simplesmente tinha desistido de me relacionar sexualmente, apesar de ser bom, notei que aquilo de namorar era uma grande fonte de aborrecimentos. Mas, por mais que eu batesse punheta, eu não conseguia me livrar do instinto sexual. Foi quando eu resolvi morar aqui na 315 norte. É super prático, só bater na porta da menina e pedir para entrar. Como eu sou cliente fixo, ganho até desconto.

- [rindo] Você ganha desconto porque é um gato, Marcos, não por estar sempre lá. Além disso, transa bem pra cacete. Elas é que deveriam pagar para te dar. Mas se você está tão satisfeito assim... se você não quer saber de namorar ... por que eu? Por que me deixou entrar na sua vida?

- [rindo] Porque você não entrou na minha vida, Olga, eu é que entrei na sua, hahahaha.

- [arremessando um travesseiro nele e rindo] Não seja tão tosco, estou falando sério, por quê?

- Você quer mesmo saber?

- Quero!

- Em primeiro lugar, porque você é bonita e gostosa. Fogosa também, como descobri, foi a melhor transa da minha vida. Além disso, você é casada. Não pode me fazer exigências, não pode se meter na minha vida, não pode me dizer como devo ser ou deixar de ser. Você é bem-vinda aqui, Olga, porque não tem moral nenhuma para me botar moral.

Naquele momento, todo o peso do que havia feito caiu em cima de Olga como uma bigorna de 16 toneladas de desenho animado. A partir daquele momento, ela não era mais a mulher exemplar de que sempre havia se orgulhado. Ela se tornara uma adúltera, uma mãe de família depravada, e uma chefe que havia se aproveitado de seu subordinado, tudo ao mesmo tempo. Começou a chorar, e não conseguia parar. Marcos demonstrou toda a sua sensibilidade e compaixão:

- Acho que é hora de você ir embora, Olga. Pelo visto, vou ter que comer a pizza sozinho.

Olga engoliu o choro e, se sentindo suja, literalmente fodida, vestiu suas roupas. Marcos a acompanhou até a porta, e quando ela saiu, disse carinhosamente:

- Até a próxima. – e fechou a porta.

Marcos ligou seu computador e começou a jogar GTA - San Andreas, com o seu som de 5 caixas ligado no último volume.

Sábado, 1 de Novembro de 2008

GENIAL

Veja como fazer um curta-metragem experimental, cult e pseudo-intelectual:



O cara é mesmo um mestre da sétima arte.

Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

A SINA DE MARCOS - parte 02

- Não.

- Como não?!!!

- Não estou interessado, muito obrigado.

Nunca na vida Olga tinha ouvido um não naquele tipo de situação. Muito pelo contrário, muitos já haviam ajoelhado aos seus pés, dispostos a matar a mãe, implorando pelo que Olga ofereceu a Marcos espontaneamente, e ele recusou sem titubear. Justo Olga, que sempre havia sido extremamente seletiva nesse sentido, e não tinha medo de dizer não, agora o ouvia, sonoro e claro. Ainda bem que ela o havia levado para ter com ele aquela conversa a sós, embora nunca tivesse cogitado a possibilidade da recusa, era algo que deveria ficar entre eles por enquanto. Mas, quando ela esperava um grande sorriso acompanhado não de um simples sim, mas de um “é claro”, “é lógico”, ou mesmo um “demorou”, ela havia recebido uma inédita recusa de seu subordinado.

Marcos recusou uma função de confiança, que quase dobraria seu salário.

- Mas por que isso, Marcos? Você é competente, rápido e leal. Por que não?

- Não topo a exigência.

- Exigência, que exigência? É para trabalhar o mesmo horário, fazendo praticamente as mesmas coisas!

- A de mudar meu vestuário, não estou a fim. Estou bem assim.

- Marcos, você vai rasgar dinheiro a troco de não usar uma simples roupa social? Nem gravata precisa, eu só não posso ter alguém na posição em que quero te pôr, vestido como um aluno de educação física no segundo grau!

- Pois é. Não topo.

- Cara, acho que não é pedir muito, é uma exigência razoável! Quem ocupa essa função hoje é o Herbert, puta servidor bom, dedicado e leal. Como ele está se aposentando, queria passar essa função para o único cara que trabalha tão bem quanto ele aqui, que é você. Não é pedir muito uma roupinha social.

- Chefe, você provavelmente tem razão, não é pedir muito não. Mas eu simplesmente não topo. Eu sou quem sou, tenho minha própria rotina fora daqui, e mudar minha vestimenta me atrapalharia bastante.

- Mas...eu nem sei o que dizer, estou habituada com a posição contrária, as pessoas implorando e eu negando. Nunca me vi nessa situação, não é nem um pouco convencional, eu vou te dizer, viu, Marcos...

- É, Olga, vai ver eu também não seja um cara muito convencional. Liga não, é só meu jeito...

Muito tempo depois, Olga lembraria que foi exatamente naquele momento. Marcos disse aquela exata última frase naquele tom doce e conciliador que usava mesmo com os usuários mais encrenqueiros no balcão, ou explicando pela décima vez o mesmo procedimento para um colega mais obtuso. Aquele sorriso sereno com o qual aceitava os pequenos agrados que as colegas de seção sempre lhe levavam. Aquela calma de quem sabe quem é, mesmo quando todo o mundo ao redor já perdeu toda a noção de identidade ou honra. É o desprendimento que Olga viu, com treze anos de idade, no primeiro menino por quem se apaixonou, naquele rapaz cabeludo, espinhento e cheirando a suor, sempre com um violão a tiracolo e meia dúzia de canções do Raul Seixas em um limitado repertório. O rapaz que não ligava nem para opinião alheia, nem para as roupas de marca que tanto a fascinavam, nem para a cultura do banho diário, ou para qualquer dessas imposições convencionais da sociedade.

Ali estava na frente dela, a pessoa mais bela e doce que já havia conhecido, explicando candidamente que não trocaria sua própria identidade por dinheiro. As pessoas com quem ela estava acostumada a conviver, bem sabia, trocariam muito mais por muito menos. E foi naquele dia que ela se apaixonou definitiva e perdidamente por Marcos. Mas tudo o que conseguiu dizer foi:

- Eeeeerr...bem, está certo então. Não quer, não quer. Ah, mais um lance: vamos fazer uma festinha de despedida para o Herbert, só um lanchinho aqui na seção, mesmo. Vai participar?

- É claro. Eu sempre participo, né? Quanto dá para cada um?

- Ainda não fiz a conta, mas não vai ser caro, garanto.

- Beleza então, mais alguma coisa?

Olga segurou na garganta o “eu te amo” e disse, quase que roboticamente, que por enquanto era só.

Marcos saiu da sala bastante puto consigo mesmo. Primeiro, por ter que abrir mão de uma boa grana, com aquele salário poderia fazer upgrades completos em seu micro de seis em seis meses, em vez de anualmente, e também poderia comprar muito mais joguinhos. Segundo, por dizer não para a sua chefe. A filosofia dele sempre foi fazer tudo o que lhe era mandado, de forma a evitar qualquer tipo de problema ou encheção de saco. Agora, havia aberto um precedente, e torcia que ela não passasse a pegar no seu pé por causa disso.

Mas não tinha opção. Apenas em imaginar o roçar da microfibra em seus antebraços, ele já tremia. Mas pensou resolutamente que, a partir daquele momento, faria qualquer coisa que a chefe pedisse, para compensar aquele “não”. Desde que, naturalmente, não envolvesse usar roupas diferentes daquelas que já lhe faziam mal. Ele já havia tentado de todas as formas, até em psicólogo havia ido quando jovem, para tentar superar sua ojeriza. Nada deu certo, e Marcos chegou à conclusão de que seu problema era, com certeza, de natureza física, e nada daria jeito naquilo. Aceitar a função lhe traria muito, muito sofrimento. Seria um dinheiro maldito, horrível, horrível, horrível... só de pensar nisso Marcos começou a suar.

Quando saíram da sala fechada, Olga correu direto para o banheiro. Marcos alisou os cabelos para remover o suor e foi direto para o balcão. Os colegas se entreolharam, soltaram todos um meio-sorriso e um “hmmmmmmmmmmmmmmmmmm!!!” praticamente uníssono. Um colega mais ousado, Yuri, aproveitou a ausência da chefe e disse para Marcos sem rodeios, na frente de todos:

- Aê, Marcão, se deu bem, hein, meu velho?!!!

As chamas da esperança se acenderam nos corações de todas as moças da sessão, até que ele respondeu:

- Nem, cara, eu não topei.

Todos fizeram aquela típica cara de espanto, ao mesmo tempo, como em uma comédia antiga. Yuri disse quase gritando:

- Não topou, tá maluco porra? Sabe quantos aqui tiveram um oportunidade dessas? Ó caralho alado!

- Nem, cara. Eu teria que trocar minhas roupas, não estava nem a fim. Mas não sou o único cara bom daqui, vou recomendar para ela que passe a bola pra ti, o que acha?

- [espantado] T-t-tá, cara, tudo bem, mas vai na calma, tá? Não quero rodar na mão da chefe, vai que ela não gosta da idéia e me pune por dar uma de abusado?

- [rindo] Acho que não tem nada a ver, cara, mas tudo bem. Não sabia que você era tão bundão, porra!

A chefe voltou para a sala, com um ar cabisbaixo e desnorteado. Os homens, com exceção do sempre sereno Marcos, olharam com pena. As mulheres, por sua vez, acumularam um estranho sentimento, distorcido e infundado, um certo senso de vingança misturado com despeito, para lá de satisfeito.

Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

BULDOZER 6 ANOS



Seria uma desculpa até bem boazinha dizer que o Buldozer completa 6 anos inaugurando um novo perfil, onde se preza a qualidade acima da quantidade de posts, e que depois de um certo momento a gente fica de saco cheio de escrever abobrinha só pra encher linguiça, e outras desculpas do tipo. Mas todo mundo ia sacar que se tratam de desculpas furadas para o fato de que a atividade por aqui baixou mesmo, por pura falta de tempo e saco. Mas não estamos mortos! Not dead, not yet.

Mas é verdade que, por enquanto, continua minha falta de cabeça para manter o ritmo com posts rápidos sobre as tosqueiras do mundo. A realidade é tão mais impressionante e tosca que a pior imaginação, e quaisquer comentários acabam por se tornar irrelevantes. Além disso, o Buldozer sofreu uma espécie de mitose, absolutamente indolor (ui), e agora os leitores podem apreciar a verve tosca de Reinaldo, o Bruto em um novo blog, o Bigotron, onde podem ser achadas pérolas do humor cibernético, como CSI Boca do Lixo, Amor Tropical e a Semana Macho.

Aqui a coisa deve continuar mais esparsa. Por enquanto, acompanhem A Sina de Marcos, uma história que vai tirar os seus botões do lugar. Depois, veremos os novos arcos de Meirelles é Muitos e mais Contos do Commercio. Aguardem!

Domingo, 26 de Outubro de 2008

A SINA DE MARCOS - parte 01

Onze horas da manhã, horário de Brasília. Aquela sempre era a pior hora do dia para Marcos: a hora de ir para o trabalho. Ele entrava no chuveiro e enrolava o máximo possível, mas tinha a consciência de que, às onze e meia, teria necessariamente que estar na parada, para não perder o ônibus. Não era o trabalho em si que o incomodava, muito pelo contrário. Era a parte do dia em que tinha contato humano, algo que ele apreciava muito, desde que fosse em um ambiente controlado, em doses moderadas, envolvendo distâncias civilizadas, como acontecia no ambiente profissional. O que realmente o incomodava é que, naquela hora do dia, precisava se vestir. Não tinha opção senão colocar roupas, e sentir aquela terrivelmente incômoda sensação de atrito entre o tecido e a sua pele. Aquela era a pior parte, sair da confortável nudez para o horrível processo de colocação das roupas em si. A calça não incomodava tanto...mas a blusa, essa sim era um verdadeiro suplício, especialmente em cima dos ombros, quando andava e mexia os braços, a sensação era quase insuportável. As meias eram o problema mais sério. Se as comprasse largas, como as roupas, elas incomodavam muito na locomoção. Se não as usasse, seus pés tinham contato direto com o interior dos tênis, ainda mais ásperos e incômodos. Então, era obrigado a suportá-las justas, em constante atrito com todos os pontos de seus pés e com as canelas.

Nunca sequer havia cogitado a possibilidade de usar cuecas, isso, sim, seria verdadeiramente insuportável. Sentia-se como Darth Vader, vestindo uma horrível armadura por cima das queimaduras. Mas não tinha jeito. Se não trabalhasse, teria que voltar a morar com sua mãe, que lhe obrigava a baixar o volume do computador de madrugada, não o deixava comer pizza todo dia, e o pior de tudo, lhe obrigava a usar roupas dentro de casa.

Já na adolescência, utilizando uniformes escolares, notou que a chamada “malha fria” não era tão incômoda como os demais tecidos, principalmente se utilizada em roupas largas. Isso o levou à adoção de um visual esportivo constante, como se sempre estivesse fazendo cooper em um dia de outono: calça estilo moleton, camiseta de manga curta, tudo em geral na cor cinza, com tênis de corrida. Com aquelas roupas, conseguia se acostumar após cerca de quinze minutos de utilização. Disciplinou-se para resistir à vontade de tirá-las, e, àquela altura do campeonato, em que tinha vinte e quatro anos de idade, já era mais ou menos automático esse controle. Ele quase conseguia esquecer da sensação de atrito, daquele incômodo maldito, do terrível tecido.

Naquele momento, estava no ônibus para o trabalho. Como fazia quase todos os dias, bendisse o cargo público que ocupava, que lhe permitia trabalhar em uma repartição onde seu visual era relativamente tolerado. Era concursado e seria difícil puni-lo por tal razão. Para evitar maiores problemas, dedicava-se bastante ao serviço, o que acabou fazendo sua chefia relevar um pouco aquele visual de moleque em dia de aula de educação física, que o caracterizava, e valorizá-lo por seu desempenho. Claro que ele jamais havia explicado a verdadeira razão pela qual se vestia daquela forma, sabia que as pessoas teriam dificuldade para entender. Por acaso, um colega mais engraçadinho havia lhe providenciado uma desculpa conveniente logo na primeira semana de serviço:

- E esse visual de campeão aí, Marcos? Por acaso vai para a Olimpíada de Pequim daqui a três anos? Defender a nossa bandeira, bróder? Então traz uma cabeça de tibetano engarrafada no saquê pra mim!

Marcos pensou rápido:

- Cara, vou ficar devendo esse teu brinde macabro... o máximo que faço é voltar correndo pra casa todo dia, por isso essas roupas. Economizo o busão e ainda faço exercício, sacou?

- Porra, velho...puta idéia boa. Faz bem, bicho, faz muito bem mesmo. Manda ver, campeão!

Até então Marcos tinha mesmo o costume de fazer cooper, mas cerca de duas, no máximo três vezes por semana, perto de casa, de acordo com o seu humor para vestir os shorts, meias e tênis necessários. Nada demais, só mesmo para queimar a caloria da pizza. Mas aquela idéia era mesmo muito boa! Ele arranjaria uma desculpa eterna para seu visual, economizaria ônibus, faria um exercício mais puxado e de quebra ainda se livraria dos shorts periódicos! No mesmo dia da conversa, experimentou voltar correndo para casa. Parou no meio do caminho e terminou o percurso andando bem devagar, aquilo cansava! Com o tempo, porém, pegou o ritmo, e naquele dia, depois de três anos em tal rotina, o percurso já havia se tornado familiar e ele o percorria sem pausas. Periodicamente, estabelecia novas metas de tempo. Passou a aproveitar o pique e, chegando do trabalho, após o cooper, aproveitava e fazia umas barras, paralelas e abdominais nos aparelhos improvisados que os malas da quadra onde morava haviam construído com cimento, tijolos e barras de ferro. Após alguns anos, havia se acostumado com tal rotina, e se sentia muito saudável com aquilo tudo.

Ele não era o único que o achava bastante “saudável”. A mulherada da seção se ouriçava mais a cada dia, e os comentários baixinhos na copa se apertavam entre a garrafa térmica e o microondas. Marcos, porém, parecia não dar muita bola para ninguém, nem do lado de dentro do balcão, nem do lado de fora. Na seção, nenhuma das moças tinha ainda se arriscado a uma abordagem direta, como um convite direto para sair, ou elogios rasgados ao seu físico. Apenas transbordavam em simpatia e mimos para o lado do rapaz, como lanchinhos caseiros e suquinhos de laranja, ao que ele respondia com um simples agradecimento. Não era, porém, por pura timidez que ninguém ainda o havia abordado. Todas já sabiam que o moço estava na mira da chefe da repartição, e não ousavam avançar o sinal vermelho, pelo menos não até terem certeza que sua superior já houvesse tido a primazia de experimentar o material. Além disso, todas tinham a consciência que a chefe, além de sê-lo, era a grande gata da seção, sem concorrência à altura.

Olga tinha 38 anos e cerca de um metro e oitenta de altura, que se tornavam mais de um e noventa acima de seus indefectíveis saltos altos. Seus olhos eram de um profundo azul, e inquiridores, e marcavam seu belo rosto eslavo, que indicavam sua ascendência ucraniana. Seu corpo era perfeito, esculpido em vinte anos de absoluta disciplina em academias de ginástica. Após o desmame de sua segunda filha, a mais nova, não havia pensado duas vezes e implantou próteses de silicone discretas, que não aumentaram seus seios, pois que sempre haviam sido grandes, mas garantiram sua solidez por toda a eternidade. Por fim, emoldurava esse incrível conjunto com caríssimas roupas de trabalho, ternos e tailleurs com o desenho perfeito entre a sensualidade e a sobriedade, mostrando todo o conjunto escultural daquela senhora, mas sem sombra de vulgaridade.

Apesar de que seria bem mais fácil proceder de outra forma, Olga optou por ascender no órgão onde trabalhava por meio de seriedade e competência no trabalho, e a função que ocupava atualmente era a máxima permitida por seu cargo. Sempre soube driblar o eventual assédio com profissionalismo e bom humor, e após oito anos de casa, já era famosa por ser absolutamente impegável. Era casada desde o primeiro dia no órgão, e todos os que tentaram algo receberam dispensas simpáticas e discretas, alguns insistentes tiveram que lidar com foras incisivos, e uma autoridade um pouco mais abusada teve três dedos da mão quebrados após uma apalpada indevida. Na ocasião, ameaçou-a, mas Olga avisou serenamente que, em caso de qualquer retaliação, a esposa dele ficaria sabendo, o que resolveu o problema definitivamente.

Um dia, três anos antes, havia recebido aquele rapazote recém-admitido para trabalhar na repartição. Como todo novato, decidiu colocá-lo para sofrer um pouco no balcão de atendimento, bem mais puxado e cansativo que os serviços internos. Afinal, ele tinha um visual bastante desleixado, e se sua personalidade a isso correspondesse, precisaria ser adequadamente disciplinado. Logo ele começaria a errar, e dessa forma ela estaria mais à vontade para exigir-lhe, dentre as várias prerrogativas de trabalho, que adequasse seu vestuário. Qual não foi sua surpresa, porém: o rapaz aprendeu todo o serviço de balcão em menos de uma semana, era prestativo e educado com o público, usava de um português corretíssimo, e ainda por cima ajudava os colegas com outros serviços quando o balcão estava vazio. E, além de tudo, era bem bonitinho.

Olga buscou afastar esse pensamento de sua cabeça, afinal, em um casamento de vinte anos nunca havia traído seu marido, embora oportunidades não faltassem. Ele viajava muito a serviço, mas sempre compensava na volta, a satisfazia de forma plena, e no final das contas, ela era feliz no casamento. Ou pelo menos, já havia sido. Nos últimos dois anos, as viagens se tornaram demasiado longas, e ele sempre chegava cansado e desanimado. Ela pensava que talvez a idade estivesse cobrando seu preço dos dois, e redobrava a malhação e os cuidados estéticos com pele e cabelo. Mas nada adiantava, o marido, quando muito, comparecia de forma burocrática às suas obrigações conjugais. E mais três anos se passaram, o marido então completava cinco anos de relativa apatia sexual. Ele era um homem muito fechado e tradicionalista, e Olga não se sentia à vontade para puxar uma conversa sobre o assunto. Ela tinha uma vida perfeita, uma família maravilhosa, dois filhos inteligentes e saudáveis, e não seria justo estragar tudo com suas taras.

Mas o novo rapaz, após três anos de trabalho, em vez de se tornar mais feio com a passagem do tempo, se tornou mais atraente. E, ao contrário de praticamente todos os homens com quem ela já havia trabalhado, nunca havia demonstrado qualquer interesse por ela. Justo ela, que até de um cabelereiro gay já havia ouvido “olha, meu negócio é homem, mas você...você eu encarava! Você é linda”. Por outro lado, ela não teria coragem de fazer com Marcos aquilo que ela sempre detestou ser alvo, abordá-lo, assediá-lo, mas não conseguia resistir a passar cada vez mais tempo olhando para ele. No começo, ela viu que os colegas estavam notando e tentou se segurar, mas com o tempo, desistiu de resistir. Ela se deliciava ao ver o rapaz gesticulando amavelmente enquanto atendia as pessoas no balcão, ou retesava os músculos carregando pilhas de documentos, sempre com seu ar jovem e sereno. Todos notavam a admiração – menos ele. E, a contragosto, ela percebeu que ao mesmo tempo em que aquilo a incomodava profundamente, ela se sentia como quando era uma adolescente magrela no primeiro grau, apaixonada e insegura. Marcos a fez se sentir viva novamente, ela percebeu que há anos havia esquecido do que se tratavam as delícias da incerteza e da expectativa. E então, absolutamente, não sabia, pela primeira vez em muitos anos, o que deveria fazer.

Fim da parte 01

Veja também a primeira história de Marcos

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

LINDO



E emocionante

Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

ORGULHO NACIONAL

Mais uma vez o nosso grande país está devidamente representado no Darwin Awards, dessa vez com um caso famoso, o do padre balonista.

Isso certamente traria lágrimas nos olhos de Don e Ravel. Avante Brasil! E vamos torcer para que, na apuração final, nosso representante receba seu merecido primeiro lugar! E ele tem grandes chances, porque rolou algo que "nunca antes na história desse país" havia acontecido, ele foi considerado um Double Darwin: além de remover seus genes da humanidade por meio da seleção natural, foco normal do "prêmio", também o fez por meio de seu voto de castidade!

Sábado, 23 de Agosto de 2008

Enrolando os leitores - O VEREADOR DE LOST

Uma das melhores coisas de se morar no Distrito Federal é escapar das malditas eleições municipais. Por outro lado, algumas figuras hilárias acabam passando batidas. Por isso, faça como o deLeon e ajude o Buldozer a enrolar os leitores. Pelo que entendi, foi o próprio que deixou a dica no Rolo Compressor do último post, mas não tenho certeza. De qualquer forma, visitem o site do cara e assistam o vídeo:



Esse segue a melhor tradição de Afonso Brazza e da Cucão Filmes! Leitores de Pelotas, vocês já tem seu candidato! Apesar de não ser filiado ao PAB, ele tem nosso apoio!

Devo admitir, porém, que para os padrões do PV esse deLeon, na verdade, é até bem normótico. Aqui em Brasília tínhamos como grande candidato a deputado distrital o saudoso Marcão Adrenalina (que Deus o tenha). Se bem me lembro, ele tinha como propostas direcionar os incentivos culturais da cidade para o rock'n'roll e "rediscutir e debater", ou coisa assim, o uso recreativo da cannabis. Ele foi para o paraíso dos roqueiros em 2006, e aguardamos um sucessor à altura!

P.S.: não, caras, não vou fazer nenhuma piadinha sobre o fato desse deLeon ser de Pelotas e o vídeo mostrar ele caçando homem. Nem o Buldozer seria tão imbecil.

UPDATE: deLEON DEU PRA TRÁS

O nosso outrora-novo-ídolo deLeon renunciou à candidatura e se desfiliou do PV, segundo ele, para continuar trabalhando com o que realmente gosta: fotografia, filmagem, etc. Porra, deLeon! Perder de WO? Fotografia e filmagem?! Assume de uma vez e vira logo artista performático, porra!

Domingo, 3 de Agosto de 2008

PERDENDO A CLASSE 2



Hoje minha manhã começou maravilhosa. Eu estava no meio de um ménage a trois com a Sylvia Saint e a Austin Kincaid, eu fazia um cunete na Sylvia enquanto a Austin me cavalgava vigorosamente, e as duas, uma de frente para a outra, se beijavam e acariciavam com alguma violência... e um som estridente começou a vir de algum lugar distante, em ondas, cuja intensidade não parava de aumentar. Era o telefone.

Muito sonolento, acordei com um péssimo humor pela interrupção de um dos melhores sonhos dos últimos dez anos, e estiquei a mão para atender a porra do telefone. Quem seria o maldito filho da puta, pronto para tirar um cristão da cama às nove da manhã de um domingão? Ontem estava no show do Joe Satriani, não precisava dirigir e enchi a lata de uísque. Meu plano era acordar meio-dia, encher o estômago vazio de coca-cola e sair para almoçar algo o menos saudável possível. Em vez disso, eu fui tirado abruptamente do melhor sonho de suruba do universo praticamente de madrugada. Tateei a parede, peguei o fone e encostei na orelha. Som de ligação a cobrar. "Ah, não", pensei meio confuso, "fala sério que é esse prego de novo". Pois era! A mesma voz de travesti fingindo choro:

- MÃÃÃÃÃEEEE!!! PAAAAIIII!!!!

Aquilo não podia estar acontecendo. Esse viado não desiste? Na vez anterior eu briguei comigo mesmo pela oportunidade perdida de zoar o cara. Mas, porra, hoje eu estava com muito sono, e com um óbvio mau humor súbito devido à circunstância. Só respondi, com aquela voz típica de quem está acordado, mas queria muito ainda estar dormindo, de quem se recusa a abrir os olhos. Aquela voz de desprezo padrão de quem foi acordado por um escroto sem noção do caralho:

- Porra, brother! Eu não caio nessa não!

Pronto. Rápido, direto e objetivo. O cara iria desligar, procurar outro otário para arrancar grana e crédito de celular, e com alguma sorte, eu conseguiria voltar para o que estava fazendo. Mas, em vez disso, sem nem fingir que saiu do fone, o cara disse:

- [voz de homem, com sotaque forçado de malandro carioca]: Tu já caiu, mané! Já caiu! Agora pega na minha vara!!!

Mas que filho da puta! Aposto que se não fosse ligação a cobrar, ele não ia estender o papo. Mas continuava a me encher. Fiquei puto:

- Aposto que tem muita vara aí onde você tá, né?

Acho que a vida na prisão, apesar da proximidade praticamente íntima imposta pelas celas superlotadas, deve ser um pouco solitária. Porque, em vez de simplesmente desistir, ou me xingar, o cara só respondeu:

- É... tem. - e se calou.

Só me faltava essa. Virar confidente de mala presidiário que esconde o celular no rabo, e ainda pagando a ligação. Daqui a pouco, se deixasse, ele estaria se lamentando, como é vítima da sociedade, que foi injustiçado pelo estado, e que tudo aquilo era consequência do fato de ter sido enrabado pelo vovô com seis anos de idade, que ficou traumatizado, que por isso não sabe o que é ter amor no coração e blábláblá. Achei melhor simplesmente desligar o telefone.

Tentei pegar no sono de novo, mas a Sylvia e a Austin não estavam mais lá. Devem ter enjoado de esperar, provavelmente se vestiram e foram embora, para terminar a diversão em outro canto. Azar o meu. Maldito mala!

Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

PERDENDO A CLASSE

A bandidagem não é mais o que era, em vez de encarar o fulano frente a frente com um bom revólver à mão, resolve utilizar o celular. Em alguns casos, com resultados hilários. Ontem recebi uma ligação a cobrar:

- [voz de travecão bem fininha, imitando choro e desespero]: AlÔÔÔ? Mãããe?

- [eu] Hã?

- [sacou que era homem do outro lado]: Paaaaiiii!!!!

- Moça, acho que você ligou errado...

- [com a voz um pouco mais grossa] Hã...é da Asa Norte?!

- Sim, senhora...

Desligou. Que picareta amador. E não posso falar nada, perdi uma bela oportunidade de diversão:

- [voz de travecão bem fininha, imitando choro e desespero]: AlÔÔÔ? Mãããe?

- [Eu] Peraí, menina, vou chamar - então gritaria - Raimuuuuuuuuuuunda...Raimuuuuuuuuuuuuunda... telefone!!! - voltando ao telefone - peraí, menina, ela tá com um cliente no quarto, mas vai pegar a extensão.

- [Bandido animadinho] - Peraí o caralho, quero que você deposite vinte mil reais...

- [Eu, puto] Puta que o pariu, cara, ela continua usando essa merda que tu vende? Pô, tirei essa farinha da bolsa dela semana passada para conferir, puro pó de mármore, quase não bate! Nem fudendo, dá um abatimento aí que a gente conversa...

- Mermão, tá maluco? Isso é um sequestro!

- Moleque, eu já cuidava de um batalhão de putas quando tu ainda tava nos cueiros, tu não me assusta. Babaquinha de bermudão, se acha macho por conta de um ferro? Saiba que essa menina trabalha para mim também, se você escostar um dedo no que é meu, comprou tua passagem pro inferno!

- É?! Então ouve ela gritar [voz de traveco sem nem desencostar do gancho] AAAAAAAH!!! Não, isso não!!! Poooooooor favoooooooor!!!! AAAAAH!

- [ Eu, fingindo que acreditei ] Seu filho da puta, você está MORTO! MORTO!!!

- Vamos conversar sobre grana, velho?!

- Só se for pra pagar teu FUNERAL. Eu te PEGO!!! [desligo na cara do sujeito]

A ligação ia sair meio cara, era a cobrar, mas acho que valeria cada centavo.

Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

Maneira criativa de acionar o alarme

Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

CLAUDIO MOR



Mais uma pérola de um dos dementes que abrilhantam nossa lista de links.

Domingo, 20 de Julho de 2008

DERCY GONÇALVES NÃO MORREU



Coube ao Buldozer o grave dever de revelar essa conspiração na cultura nacional. Como todos sabem - ou deveriam saber - Dercy Gonçalves não morre, ela tem na terra a missão de "enterrar vocês tudo, cambada de fiadaputa do caralho". Contudo, após seu centenário, seu nome voltou com muita força à mídia, e o assédio por estudantes de comunicação maconheiros - que adoram uma modinha, e estão sempre prontos para fazer seu trabalho final de graduação só com uma olhada rápida na Wikipédia e degravando uma entrevista - tornou-se, não diria insuportável, mas chato pra cacete. Então a matriarca da cultura popular brasileira resolveu desaparecer para uma ilha do Pacífico, adquirida com todas as economias de que dispunha, para curtir a vida e jogar Playstation 3 até o fim dos tempos. Não duvidem, temos evidências indiscutíveis.

O iate "Badalhoca 5", mais recente aquisição de Dercy, foi visto deixando o pier em que estava ancorado, no Flamengo, às 20h de sexta-feira, dia anterior de sua suposta morte. Uma vendedora das Lojas Americanas de Copacabana também revelou, sob condição de sigilo de sua identidade, que a atriz foi à loja semana passada, e adquiriu uma HDTV 52", um Playstation 3 e todos os jogos disponíveis, e financiou tudo em 24x. Disse que os olhos da atriz brilhavam enquanto segurava a caixinha de "GTA 4", dizendo com um largo sorriso "ah, como eu esperei por isso! Já faz tempo que zerei o San Andreas no micro!".

Já a transação envolvendo a aquisição da ilha no pacífico é mais nebulosa. Nossa fonte na antiga residência de Dercy contou que, mesmo com as economias da eterna diva, adquirir uma ilha perto das de Elvis e John Lennon, paradisíacas e muito estáveis, seria um pouco complicado para ela, porque não sobraria a grana para a aquisição da HDTV, hipótese que ela refutou na hora. "Porra, sem essa TV não vai dar para jogar Metal Gear Solid 4 com toda a emoção, nem fudendo que eu vou abrir mão, rapazinho!". Ela haveria decidido então pela aquisição de uma ilha vulcânica no círculo de fogo do Pacífico.

- Não é uma erupçãozinha de merda nem terremoto de viado que vão me matar, isso nem a mídia brasileira conseguiu.

- Mas dona Dercy, e os empregados?

- Vou enterrar eles tudo, bando de fiadaputa do caralho!

O Buldozer revelou tudo isso devido ao seu compromisso inexorável com a verdade factual, mas ao mesmo tempo, implora aos estudantes de comunicação e baba-ovos em geral que não procurem a ilha, deixem Dercy em paz. Se quiserem encontrá-la, procurem em qualquer ambiente de MMORPG do Playstation 3, ela aparece em todos, sempre com o mesmo nick, "EnterrandoFDPsdoCaralhoxD".